Associação dos Sem Carisma #82

Está na hora de desistir da conversa? 

Ah, o flerte. Com a pandemia, ele teve que ocorrer todo online. Encontrar alguém, iniciar o contato, passar do app para o Instagram — ou começar por lá mesmo. Mas como somos sem carisma, é difícil às vezes manter aquele papinho, né? A gente não sabe como continuar, como puxar aquele assunto, ainda mais quando o interlocutor é meio desprovido de carisma também. 

Pois fizemos este guia para poupar o seu tempo com conversa que não vai pra frente. Use-o sem moderação. 


Eu viajo

Por Camila Fremder

Eu tenho essa mania doida de criar nóias sem parar (e que hoje em dia finalmente virou um ganha-pão), e no meio de tantas eu inventei pra mim mesma que se eu tiver que pegar um avião pra qualquer lugar, eu tenho que encontrar alguém famoso no aeroporto que, aí sim, é um sinal de que nada de ruim vai acontecer. E dentro dessa maluquice eu criei também níveis de famosos que significam voos completamente tranquilos ou com algumas turbulências. Por exemplo: influencers. O voo vai ser ok, mas com, talvez, breves momentos de turbulências. Atores famosos: voo sem problemas. Ícones da música: vai ser tão de boa que vou até dormir. 

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Hoje eu peguei um voo pro RJ e no mesmo avião veio o Marcos Mion, que ontem mesmo foi contratado pela Globo. Eu dormi na ponte aérea! Gente, não quero criar mais uma Nóia na cabeça de vcs, mas sempre funciona. Já voltei da Bahia com o Padre Fabio de Melo, já fui pra Floripa no voo da Grazi e olha, foi pura tranquilidade. Agora tô aqui pensando quando o Mion volta pra SP. Espero que seja no sábado… 


Eu não me separo mais 

Por Isabela Reis

Se você já me ouviu em algum podcast, provavelmente já sabe que eu visto a camisa das Bodas de Ouro. Meu sonho! Bem tradicionalzinha, bem família brasileira. Ficar 50 anos casada com a mesma pessoa, ter filhos, construir tudo, muitas memórias. Uiuiui, amo! 

Não quero mais vida de solteira. Detesto! Tenho preguiça. Vocês sabem que pulo de um namoro pro outro. Tenho pavor desse esforço hercúleo para sair com alguém, manter o papo rolando, acabo me apaixonando rápido. É o caos. Ficarei aqui bem casadinha. 

Escrevo esse texto depois de saber da morte de Tarcísio Meira, que entre muitos títulos importantes, também foi marido de Glória Menezes por 60 anos. SESSENTA! Bodas de diamante. Se é um sonho, não me acorde! Que revoltante perder Tarcísio para a Covid. Que tristeza é perder um amor da vida toda — literalmente. Penso em tudo que eles viveram nesses anos. “Deve ter sido difícil pra caralho” é a primeira coisa me vem na mente. Ela já tinha dois filhos de um casamento anterior, aos 26 casou-se com Tarcísio, 25, que a abraçou já mãe e juntos tiveram outro filho. Sessenta anos é muito tempo. Penso logo em todas as brigas, impasses, talvez até traições. Tudo superado. E os filhos, as memórias, as reconciliações, a promessa e a vontade de fazer dar certo. 

Estou idealizando, romantizando. Sabe Deus como era esse casamento na intimidade. Mas eu quero crer que foi lindo como parecia. Que eles se amavam, que eram unidos. Que pode não ter sido fácil, mas foi real e possível. Que coisa linda é testemunhar uma relação que durou 60 anos! Palmas para Tarcísio e Glória!

O “não me separo mais” é frase da minha tia. Depois de três filhos e mais de 15 anos juntos, comunicou ao marido: “você decide se a gente vai ter uma vida tranquila ou se vai ser no barraco, porque eu não me separo mais”. Poesia pura! Kkkkkkkkk

Ele, louco por ela, não separaria nunca. Ela, louca por ele, menos ainda. Em 2020, completaram 25 anos, bodas de prata. Cada um com um filho de casamento anterior e mais dois deles. Juntos e em família, conquistaram tudo. Trabalho, casa, carro, sonhos e, na última semana, uma medalha de ouro olímpica do caçula. Palmas!


Se quiser falar de amor, fale com a Bebetinha!

Por Bertha Salles

É incrível como de fato na vida tudo é passageiro mesmo, real oficial.

Na última semana contei para vocês sobre uma crise de ansiedade/pânico que tive, e o quão ruim foi. Já nesta semana conto para vocês que consegui fazer uma das minhas coisas preferidas sem sentir crise ou medo algum dela.

Na terça-feira precisei resolver umas coisas da casa no centro da cidade e pensei: vou voltar a pé. Estou me sentindo segura para isso!

Caminhei 4km até em casa, mas do jeitinho que eu gosto, aproveitando e observando tudo ao meu redor. Parei para tomar sorvete sozinha na Sorveteria do Centro e fiquei completamente lambuzada de chocolate, pois não sei comer sem me sujar até hoje. Passei em frente a um café para cumprimentar alguns amigos antigos e, por fim, fui até a minha livraria preferida, a Livraria Simples, conversei com o pessoal de lá e comprei o livro Primeiro eu tive que morrer, da Lorena Portella, que por sinal promete ser uma boa leitura sobre como a gente é capaz de se reinventar e renascer.

Fazer as coisas com segurança e sentindo o corpo presente pode parecer algo banal para muitos, mas para quem sofre com pânico e ansiedade, esses momentos são um tanto quanto especiais e ficam marcados como mais um dia em que vencemos os nossos próprios monstros.

Quis registrar aqui e dividir com vocês sempre se lembrarem disso.

Beijinhos seguros,
Bebetinha


Como saber que chegamos no nosso limite? 

Por Taize Odelli

Eu já tive uma crise uma vez no trabalho. Era o sinal de que tinha chegado no meu limite lá. Liguei desesperada, em pânico, pedindo demissão. Revirei minha vida profissional na época, comecei a trabalhar de outro jeito, sendo a "chefe de mim mesma" — com chefes como Camila Fremder. <3 

Naquela época eu tive sinais de que estava chegando no meu limite. Mas era naquele aspecto, naquelas coisas relacionadas a trabalho. Agora eu penso quando é que chegarei no meu limite em geral. 

Essa certamente é uma conversa que eu deveria estar tendo com minha terapeuta. Mas eu dei ghosting na minha terapeuta há alguns meses. Sim, sou dessas. E como até então não consegui uma nova, vou fazer o que sempre fiz antes de ir para a terapia: me expôr na internet. 

A pandemia com certeza tem parte nas coisas que ando sentindo agora. Estou há mais de um ano sem interagir com muitas pessoas, sem sair de casa, praticamente. Trabalho aqui, no máximo vou tomar um café com vizinha Carla. Às vezes vou na casa de alguém ver uma ou duas pessoas. Não vejo minha família desde 2019. Não vejo muitos amigos desde 2019. 

Nesse convívio exacerbado comigo mesma, parece que não preciso ter filtros para as coisas. Não para o que faço ou falo, esse filtro ainda existe — embora esteja meio sujo e precisando ser trocado. O filtro que não funciona é o da minha cabeça mesmo. Ela não bloqueia mais pensamentos horríveis e perigosos. Quando estou acordada ou dormindo. Há umas duas semanas, nem dormir eu estava conseguindo. 

Hoje (quarta-feira, dia em que estou escrevendo isso), eu acordei às 12h40 porque não consegui sair de um sonho que estava tendo. Eu conscientemente desliguei o despertador e voltei a dormir para o sonho continuar. E não era um sonho bom. Era violento, era hostil, era bem tenso. Mas quem estava causando todas essas coisas era eu mesma. 

Fiquei me perguntando se isso seria um sinal de que o limite está vindo aí. O que esses sonhos todos podem significar, o que está por trás do aumento do consumo de cigarro, do tesão, da preguiça também? Me pergunto se eu não vou acordar no próximo dia e ter um breakdown de novo. 

Espero que, se for ter, ele venha quando eu já puder ter voltado para a terapia. 


Temos dicas

Dicaize

A minha dica de hoje será polêmica, eu acho. Isso porque estava vendo que vai voltar a transmitir Verdades secretas na Globo — e vocês sabem como eu adoro uma programação da Rede Globo —, e vendo lá Rodrigo Lombardi trajado como Alex, algo se acendeu aqui — bem onde você está pensando. Tive um clique: meu tipo de homem no momento é Rodrigo Lombardi. Padrão, coxinha, cara de que tem 10 empresas no seu nome.

Aí eu, com fogo no rabo sem conseguir esperar a reprise começar (vai ser no fim do mês), fui rever Verdades Secretas no Globoplay. Realmente, Alex é o boy lixo que eu deixaria me fazer de trouxa. Angel é maravilhosa. Marieta Severo como Fanny é tudo. Apesar de todos os pontos sensíveis da novela — abuso de menor, relacionamento abusivo e violento, tretas mil —, acho que foi uma história até bem montadinha. Ela tem seu sarrafo moral. As coisas vão escalando para o absurdo mesmo. Pra tragédia. E a trilha sonora é ótima, há dias só ouvindo Metric e Massive Attack.

Então é isso, estou viciada em Verdades Secretas e deixo rolando enquanto faço outras coisas.


Bebedicash

A minha dica de hoje vai ser a minha nova playlist favorita do YouTube, o show da Jorja Smith para o VEVO LIVE.

Que voz, que mulher, que letras.

É um acalanto na alma e calor no coração.

Acompanha bem muitos momentos da vida, os de paixão, os de tristeza, de felicidade e os de paz também.

Espero que gostem! <3


Podcasts que você ama que eu sei

Teve Bianca Dellafancy e Lela Gomes no É Nóia Minha? falando sobre nóias irritantes. Escute para se irritar também!

No Calcinha Larga teve Thaynara OG e muita esculhambação numa conversa sobre delegar barraco. Ouve lá!

E no PPKANSADA nossas ppkers chamaram Raquel Real para falar sobre a mulher e a vida adulta. Vem chorar. De rir.


Adeuszinho

É isso, nação sem carisma. Esperamos que você tenha gostado de mais esta edição. Para encerrar, a dica para o final do semana é: veja coisas gostosinhas, faça coisas gostosinhas.

Beijos,
Da Gente