Associação dos Sem Carisma #84

Desmotivação para o seu carisma

Precisa daquela força para enxugar as lágrimas e partir para mais um dia de labuta? Já tá dando taquicardia só de pensar que em breve — ufa — terá que interagir socialmente de novo? 

Seus problemas não acabaram. Pois será assim para sempre. Então aqui vão algumas frases desmotivacionais para você colocar no espelho, na porta, na agenda e repetir todos os dias. 

Boa sorte, vai dar tudo certo e se não der tudo bem. 


Mentindo pra Claudia

Por Camila Fremder

Eu menti pra secretária do dentista. Na verdade, faz duas semanas que eu minto pra Claudia. A Claudia é educada, toda vez que eu minto na caradura ela finge que não percebe. Na primeira semana eu coloquei a culpa nos horários da escola, disse que mudavam toda hora. Achei até que boa essa mentira. "Vamos tentar na próxima semana então, quer que eu te lembre?". Educadíssima. Na outra semana eu disse que Arthur ia viajar com pai. Aí notei que pisei na bola, Claudia ficou muda por dois segundos, certeza que se lembrou que na semana passada eu estava preocupada com os horários da escola e nessa semana eu tinha permitido que a criança faltasse a semana toda. Foi amadorismo meu. Talvez até um pouco de falta de respeito com a Claudia, eu devia ter me dedicado mais, pensado em uma mentira melhor.

Essa semana, toda paciente, ela me liga. "Será que conseguimos marcar sua consulta? Já faz mais de uma ano, né?". Achei que ela pesou a mão em mencionar isso, mas enfim, eu mereci, engoli seco e menti de novo. "Sabe, Claudia (mil coisas passavam pela minha cabeça, e se eu falar que estou de mudança? Não, ela pode me seguir na rede social e saber que já me mudei. Posso dizer que fui para o RJ e não postar nada, mas eu ficaria a semana toda fora depois de já estar sem uma semana sem ver o meu filho que fake viajou com pai? Não, não dá), eu preciso ser sincera com você, eu tô com muita preguiça de ir ao dentista, podemos nos falar daqui um mês?". Ela suspirou e disse que sim. Eu me senti melhor por ter dito a verdade, mas percebi que Claudia passa por isso sempre. Hoje surpreendi Claudia e marquei minha consulta. Alguém tem alguma ideia de mentira pra eu usar na segunda?  Obrigada. 


Subsolo do carisma 

Por Isabela Reis

O cansaço. Você ai que está me lendo e não tem filhos pode até pensar que conhece o cansaço. Realmente, tem dias que é foda. Trabalho, rolê, resolver B.O. Mas gente, ter filho é outro nível. Eu achei que conhecia a exaustão física, mas não chega nem perto. 

Tem uma questão mental, claro. A sobrecarga materna não tem muito jeito de ser resolvida por maior a rede de apoio que se tenha. Mas o que pega pra mim é o cansaço físico. Na quarta agora, gravei quatro horas praticamente direto de podcast. Quatro horas sentada — a coluna chora — e com a concentração no talo sem poder desligar a mente. Quando acabou, parecia que eu tinha sido atropelada por um trator. Martin tava dormindo e pensei “uiuiui é agora que a sonequinha vem”. 

Juro, foi eu deitar na cama com ele que em menos de dez minutos, ele acordou. Não deu nem tempo de descansar as pálpebras e a lombar em chamas. E já acordou com a corda toda, subindo em cima de mim, falando. Não tinha nem pra onde fugir. Nos últimos tempos, isso pra mim tem sido o pior da maternidade. Ter que colocar o cansaço no bolso, engolir a exaustão a seco e tocar o barco. Brincar, carregar os quase oito quilos no braço, dar comida, limpar. Meu deus, eu imaginei que fosse sentir saudade de tirar uns cochilos, mas a perspectiva de NUNCA MAIS poder tirar uma soneca na hora que eu quiser é desesperadora! 

Eu sei, eu sei. Você, mãe de criança grande, deve estar rindo e falando “bem-vinda”. Você, mãe de adolescente, deve estar falando “nunca mais é muito tempo! Já já ele não vai mais querer saber de você”. Mas gente, a perspectiva é sombria! Serão anos de cochilos acumulados, acordar e voltar a dormir mais um pouquinho… que saudade! Enfim, não precisa nem dizer que isso tudo me deixa podre de espírito. Essa semana estou monossilábica e sem nenhum carisma por motivos de cansaço. Não quero mais falar com ninguém, não quero interagir, queria poder ficar três dias deitada no chão em silêncio. Mas, opa, olha ali uma fralda pra trocar…


Se quiser falar de amor, fale com a Bebetinha!

Por Bertha Salles

Ser insistente vale a pena?

Se tem uma coisa que us Taurines são nessa vida é cabeça-dura e teimoses, e eu não sou diferente desse grande estereótipo do signo, risos.

Hoje fazendo Yoga tive a maior comprovação de tudo o que já sabia sobre o tema: descobri que a teimosia está ligada emocionalmente a quem tem pouca flexibilidade nas pernas, KKK. SIM! E eu sou super dura, não encosto a mão nem na coxa direito.

Mas tirando esse fato curioso e completamente inútil para a sua vida, também trago outras pautas aqui.

Às vezes sou tão insistente com algo ou alguém, que acabo ficando obcecada por aquilo, e até me humilhando pela pessoa. Mesmo não sendo brasileira, eu não desisto nunca.

O que implica em várias questões da minha vida, como diretamente à minha insegurança que, sim, é tremenda.

Ser persistente na vida pode até ser positivo, mas insistente é um tanto quanto complexo. 

Por exemplo, eu insisto muitas vezes em sair e falar com pessoas completamente babacas, ou que claramente e simplesmente não estão a fim. E eu sigo lá, dura na queda… O orgulho próprio demora a surgir dentro desse corpão, vou te contar.

Fico pensando se me acham maluca e carentuda, e também no quanto é normal alguém insistir em alguém, ou alguma coisa. Por sinal, se vocês souberem, me avisem.

Isso que, no fundo, eu sei que quem quer dá um jeito e vai atrás. Só que na minha cabeça sempre vem uma voz do além maldita (kk) que diz: “Ah, mas por que não tentar mais uma vez, A MILÉSIMA, e se humilhar mais um pouquinho, hein?”.

Me pergunto o quanto vale a cabeça-dura e todo o sofrimento que essa característica acaba me causando. Não sei mais se é a pandemia ou se é a falta de amor próprio em alguns momentos, mas sinto que preciso parar, ou tentar ser menos nesse quesito para sofrer menos.

Quando a gente externaliza um incômodo da nossa própria personalidade é muito maluco, porque parece super simples de se desapegar dessa característica, mas no fundo sabemos o quão difícil é.

Sigo na batalha aqui para quebrar esse cabeção de coconut e colocar um pouco de amor próprio dentro dele.

Beijos duros, ou melhor, macios a partir de agora,
Bebetiinha


Zero romântica

Por Taize Odelli

Venho pensando muito nos últimos dias sobre como eu enxergo os relacionamentos entre homem e mulher — pois hétero. Eu não tive muitos namoros na vida, só ficadas fixas que duraram no máximo uma ano. Já amei, sim, já quebrei a cara, já chorei muito, mas hoje isso parece algo tão distante. É como se agora eu fosse incapaz de amar. 

Mas não incapaz de gostar. Eu gosto de muita gente, quero todos por perto, alimento um carinho gigante por eles e elas. Mas amar? Amar é uma palavra forte. 

Acho que meu problema é com o romantismo. Eu choro com o pedido de casamento alheio, com as conquistas de casais que vivem juntos, mas eu não consigo mais visualizar isso acontecendo comigo. Me vejo passando tempo com alguém, mas não para sempre. E não sendo romântica como as novelas e filmes nos ensinaram a ser. 

A questão é que agora vejo que eu não preciso, necessariamente, estar num relacionamento romântico. Ele é bonito, ele é lindo, mas não é pra mim. No fundo ainda resta uma vontadinha de ver alguém se ajoelhando para me pedir em casamento, mas isso vai se enfraquecendo cada vez mais.  

Talvez eu seja muito egoísta para me jogar no amor romântico, ou talvez eu seja muito interesseira. Por exemplo: ultimamente venho me empolgando mais com a ideia de sexo casual do que com a perspectiva de me apaixonar por alguém. Venho achando mais interessante o conceito de relacionamento sugar — altas polêmicas aqui —, do que casar, morar junto e constituir família. 

Acho mais válido, para mim, ter um acordo bem estabelecido com alguém e deixá-lo livre para fazer o que quiser, enquanto eu sou livre para fazer o que quiser. Não quer dizer que não tenha carinho, boas conversas, compreensão. Tem tudo isso sim, mas sem estar embrulhado em um papel de presente que simbolize o amor eterno, a promessa de fidelidade, essas coisas que tanto procuramos e que nos fazem quebrar tanto a cara.

O romantismo, pra mim, vem parecendo uma crença há muito tempo abandonada, como o Papai Noel.


Dicas boas, hein

Bebedicash

Assistam à série The White Lotus, da HBO Max. Reflexão e deboche sobre a branquitude cisgênero heterossexual americana, e que se aplica demais ao Brasil também.

Diferentes pessoas vão para o Havaí passar férias em um Resort, e lá são super acolhidas pelos seus funcionários e locais, que batalham diariamente para agradar os turistas, mesmo que para isso tenham que passar por cima das suas próprias questões pessoais e éticas.

Um crime acontece, que só vai ser revelado no final, e a cada episódio que passa a gente só vai sentindo mais ódio das personagens.

Vale assistir e refletir.

E para acalmar o coração e a cabeça-dura, rs, indico o Tiny Desk da Jazmine Sullivan. Que voz, que mulher.



Também tem uma SESS (é assim que o povo descolado fala? kk) dela na HBO Max, e disponível no Youtube que vale demais:


Pega um drinkinho, faça um skincare, algo bem gostoso ouvindo essa voz de anja.

Dicaize

Hoje quero indicar um livrinho aqui, yay. É o Uma tristeza infinita, do Antônio Xerxenesky, que está chegando agora às livrarias. A história se passa na Suíça dos anos 1950. Nicolas é um psiquiatra francês que trabalha em uma clínica remota cheia de pacientes que buscam uma cura para sua tristeza, melancolia e transtornos mentais. Ele é casado com uma jornalista que trabalha na CERN e está aprendendo muito sobre física, o mundo e afins. Mas uma grande melancolia vai tomando conta de Nicolas a ponto dele duvidar da eficácia do próprio trabalho, a duvidar do casamento, a duvidar da humanidade. 

Por mais que se passe em outro tempo e em outro lugar, é uma leitura que tem muito a ver com o Brasil atual. Ao contar uma história do pós-Segunda Guerra Mundial, podemos ver muito bem como os questionamentos do protagonista são os mesmos que a gente tem agora. Aquela coisa de viver num torpor, com a cabeça se debatendo entre mil pensamentos.

É um livro lindo, bem melancólico, com ótimos trechos sobre ciência e diálogos filosóficos. Sério, eu amei demais. 


POD-CAST

É Nóia Minha?: O famoso, aclamado e hilário Roleta do Unfollow está de volta, com a participação impecável, como sempre, da audiência. Vem achar sua turminha, vem passar raiva, e vem ficar chocades com os relatos absurdos que pintaram por lá.

Calcinha Larga: O gato do Chico Felitti (jornalista, podcaster e escritor) deu pinta por lá e estamos todas a fim, vale a pena ouvir e dar um Google enquanto escuta no nome dele pra ver as fotos. 

PPKANSADA: Bertha, Bela e Taize receberam a cantora Jade Baraldo para falar sobre ser trouxa e como deixar de ser.


Bjbj, valew

Mais uma news entregue com sucesso! Antes de dar aquele tchau gostoso para você voltar a fazer o que quer que esteja fazendo antes de abrir este e-mail, quero lembrá-los aqui da Sem Carisma Collection lá na Tangerina Moon:

E também lembrar que você pode apoiar o PPKANSADA e fazer parte de um grupo exclusivíssimo no Telegram.

E, claro, segue a gente lá no Insta!

bjo bjo,

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